a pesquisa

Redes digitais, violência e política: discursos anti-direitos em plataformas de mídia social no Brasil

Abordamos o papel e usos das tecnologias de informação e comunicação (TICs) – em particular das plataformas como Twitter, Youtube, Instagram, Facebook e WhatsApp, as mais acessadas através de dispositivos móveis –  para a produção e disseminação de discursos anti-direitos e atos violentos, bem como as respostas coletivas aos mesmos.

Durante a segunda metade da década de 2010, o ativismo digital combinado com a aplicação de algoritmos e bots tornaram o Facebook, o Twitter e, particularmente, o WhatsApp meios-chave para a disseminação de pânicos morais e discursos de ódio contra feministas, LGBTQI+ e outras minorias. Esta mobilização teve sucesso na canalização do apoio público aos candidatos que traziam uma agenda anti-direitos. Esta pesquisa analisa o papel e os usos das tecnologias de informação e comunicação e das redes sociais digitais nesse processo. Nossa abordagem metodológica foi múltipla: no período pós-eleição de Bolsonaro e durante a pandemia de Covid-19, através de observação etnográfica em redes sociais e utilizando dispositivos e técnicas digitais de monitoramento e visualização de dados, analisamos a disseminação de discursos anti-direitos, de ódio e a incitação à violência homofóbica e de género por esse meio. Com base nisso, construímos estudos de caso etnográficos de respostas de comunidades feministas e LGBTQI+ a discursos de ódio online e aos discursos anti-direitos. A partir disso, para abordar os múltiplos significados da violência online, proteção e regulação da internet para o ativismo pelos direitos sexuais neste contexto, aplicamos um survey online. Por fim, conduzimos onze entrevistas remotas, por videochamada, com participantes do survey que se voluntariaram para discutir em profundidade seu uso de tecnologias digitais e experiências de violência online.

Apoios: FIRN/APC; IDRC; CAPES