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Horacio Sívori e Bruno Zilli

APRIA Journal, Vol. 4, Num. 4, Abril 2022, pp. 35-49.

Durante a segunda metade da década de 2010 e após a eleição de Jair Bolsonaro como presidente em 2018, as redes sociais brasileiras tornaram-se um terreno cada vez mais fértil para o exercício de violências públicas marcadas por gênero, sexualidade, raça e classe, associadas a campanhas políticas. Na medida que a tensão política aumentava com a eclosão da pandemia de Covid-19, Bolsonaro negou as evidências científicas e mostrou desprezo por expressões de cuidado e empatia, o que era consistente com o anti-intelectualismo e o roteiro de género da sua personalidade pública.

Este artigo concentra-se em dois episódios no Twitter e no Instagram que ilustram formas variadas de envolvimento da rede com peças de discurso de ódio homofóbico proferidas ou atribuídas a Bolsonaro. Por um lado, destacamos como a amplificação do discurso homofóbico como código político foi proporcionada pelo design e pela arquitetura algorítmica do Twitter. Por outro lado, o Instagram e o Twitter também mediaram a mobilização de públicos variados por meio de memes em defesa da saúde pública e da diversidade sexual, em oposição à homofobia manifestada por Bolsonaro. Diante de atos e discursos desumanizantes, interrogamos as possibilidades de investimentos interseccionais feministas nas mídias digitais em tempos de adversidade.

Todos os atos de violência marcados por gênero, sexualidade ou raça são essencialmente políticos, na medida em que expressam publicamente uma vontade de domínio. Buscam a punição de sujeitos que não se conformam com sua opressão, “mostrando-lhes qual o seu lugar”, ou pretendendo eliminar comportamentos e expressões consideradas não naturais. No entanto, definições mais amplas e restritas do discurso de ódio, por um lado, e da violência política, por outro, revelam distinções conceituais e articulações entre misoginia, homofobia, transfobia e racismo.

Em breve postaremos aqui resultados da pesquisa em português.